- THE SMASHING MACHINE: CORAÇÃO LUTADOR, de Benny Safdie
- BATALHA ATRÁS DE BATALHA, de Paul Thomas Anderson
No epicentro dos turbilhões e das contradições, da equiparação entre o caos atual e o caos histórico, entre ser monumentalmente bem filmado, montado, sonorizado, e logo a sua abstração amadora que é a veia inescapável de PTA (Robert Downey, Sr. e o humor para tudo e todos sem querer saber!), o que fica é a permanente irresolução existencial do ser-humano e dos seus sistemas, um pai que não esquece a filha mesmo destruído pelos ideais talvez bacocos, e o mais importante - o Sensei de Benicio del Toro, que suporta um mundo inteiro clandestino, soterrado, que é o futuro e o já aqui e agora das grandes preciosidades.
– O RISO E A FACA, de Pedro Pinho
O que mais me impressionou foi como tudo é incomensurável e forte como o aço e como nunca se teme o desequilíbrio, o fora de controle. A câmara tão ao deus-dará e disponível como os impressionantes atores sem técnica, amadores, num naturalismo ele mesmo para lá ou cá de qualquer convenção. Um filme-mundo, sim, um exame sobre dinâmicas neocoloniais, sim, mas é a solidão universal e aparentemente íntima o que mais fere e comove.
- O BRUTALISTA, de Brady Corbet
Para lá da monumentalidade, interessa-me as microscópicas variações provocadas
e aleatórias, e a impossibilidade da destrinça - dos humores e dos desejos, dos
egos e das ambições, dos espaços e dos tempos, por isso talvez o scope
escolhido por Corbert seja o adequado e mesmo assim pequeno para tais ambições,
mas o tudo por tudo sente-se.
- LAGUNA, de Sharunas Bartas
- A COMPLETE UNKNOWN, de James Mangold
James Mangold tem a mão terna e sensível dos grandes
cantadores, Whitman ou Frank Capra. [Texto aqui]
- F 1 - O FILME, de Joseph Kosinski
Regresso ao analógico no máximo do digital. Sobretudo a assunção de que é no perigo máximo que alguns seres conseguem descansar e atingir a perfeição. [Texto aqui]
(RE) DESCOBERTAS:
– PIXOTE, de Hector Babenco, 1980
- ANDRE THE GIANT, de Jason Hehir, 2018
- BUFALLO 66, de Vincent Gallo, 1998
Cada efeito, cada quadro dentro do quadro, mundo dentro do mundo, cada trejeito de cada protagonista, cada tristeza ou alegria simulados, apenas escondem o leite provado aos três meses ou aos três anos.
- KEOMA, de Enzo
G. Castellari, 1976
Os paraísos terrestreais e a irresponsabilidade da infância e os infernos das submissões e pactos adultos nunca deixarão de falar entre si, espelhos oblíquos, vozes assíncronas, olhares desviantes.
LIVROS:
– HÖLDERLIN, de Manuel Silva-Terra, 2021
Da emoção de sentir o coração de um passarinho até aos indesculpáveis crimes humanitários. Uma longa prece pela natureza e pela reparação que vem do fundo dos tempos e das almas. Um milagre a cada instante.
- ADEN ARÁBIA, de Paul Nizan, 1931
Um dos epítomes políticos da literatura contém em si a
transcendência, e o que interessa agora continua a ser a busca infinita até ao
fim da vida de um protagonista desta terra, assim dirigida a cada um de nós.
- O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD, de
Ron Hansen, 193
O facto, a poesia, a natureza, o artifício. Uma convivência pura porque olhada puramente.
DISCOS:
- LIGHT-YEARS, de NAS e DJ PREMIER
Promessa.
