
Inclui mesmo algumas cenas de "Koroshi no Rakuin" (1967), de Seijun Suzuki, um dos meus filmes preferidos: a do assassínio no aqueduto e a da borboleta. Também tem referências a "Le Samurai" (1967), de Jean-Pierre Melville. São homenagens, porque a minha intenção não era fazer um remake de "Le Samurai", mas o meu próprio filme, sem ter medo de recuperar ideias dos outros. É por isso que, no filnal do filme, agradeço a todos quanto me inspiraram: o personagem de Walker que Lee Marvin interpetava em "À Queima-Roupa" (John Boorman, 1967) ou Don Quixote, um cavaleiro andante que acreditava num código de cavalaria e não se enquadra no mundo em que vive. Também há referências directas a Frankenstein, à cultura hip hop e ao rap. O filme é uma colagem.Jim Jarmusch
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Estava a ver um filme de Suzuki, não o referido mas sim “Tôkyô nagaremono”, do ano anterior, e não pude deixar de me lembrar constantemente do “Ghost Dog” do Jarmusch. Do filme e também das palavras acima transcritas, sabia que o americano tinha ido lá beber. Não curto a palavra pós-modernismo, já fiz questão de o dizer, portanto acho que o que Jim fez nesse fabuloso filme é aquilo que estamos (?, enfim...) sempre a fazer, aquilo que certos grandes cineastas não tem medo em assumir - um ter consciência de uma história e de um legado, o tal dado adquirido que anseia sempre por um novo ponto de vista. Isso e um insuflar com vida, com ar do tempo, com o outro. É por isso que posso ver 1000 vezes estes filmes de Jim, é por isso que não me faz nada mal a sensação de que eles parecem tão leves que logo se desfazem no ar. Têm lá todo um legado reconhecível, mas também tem todas a hipóteses de auto reconhecimento e de conhecimento alheio. Tão focalizado mas tão mais universal do que qualquer coisa de um desses filmes-puzzle que não necessito de dizer o nome.
O filme de Suzuki? De um lirismo doentio, lânguido, arrastado. Enquadramentos que podem definir o formato largo, cores lindas e dramaturgicamente muito fortes, golpes de raiva na movimentação de câmara que quase faz lembrar o meu americano favorito, etc. Sim, tudo isto, um cineasta de génio, mas…e levo isto assim na inocência, quero rever e rever o Ghost Dog. Não tenho culpa. Não pára de crescer.
























Rohmer e as cores, neste caso com tudo que se lhe diga…






incrível a forma como qualquer uma das partes funciona como um todo absoluto. qualquer uma das fatias possui uma respiração, um peso, uma atmosfera, enfim, uma organicidade que vale por si. não existe um puto dum plano desperdiçado, pra encher chouriças. e isto torna o todo absolutamente harmónico. em Taipei ou em Paris. mesmo sendo um daqueles contos (ala Liang) absolutamente loucos, desfasados, com as horas trocadas. precisamente.
No caso, William Shatner em “The Intruder” de Roger Corman. Para pôr ao lado do Robert Mitchum de “The Night of the Hunter”. Ou então não, acho que a coisa eclodia.





