quarta-feira, 18 de março de 2009

andas muito certinho não? a ver contos de fadas de Capra…

humm..às vezes é preciso um pouco de luz no meio de tanta escuridão, suspender um bocado as descrenças, tentar acreditar em alguma coisa, pelo menos tentar…

e então, comédia? drama? melodrama? que filme é esse “Mr. Smith Goes To Washington”?

isso tudo e mais alguma coisa. um filme meio doce, meio amargo. certo que o personagem do Stewart é moldado a inocência, mas também os têm no sítio. é honesto, altivo, têm muita classe, mas na hora h dá-lhe sempre com força…de resto, incrível como 1939 está tão igual ou pior do que hoje, o esterco da política e de certos homens é o mesmo, mas é melhor calar-me senão entro em lugares comuns e meias tintas. não estou para isso.

grande classicista o Capra não achas?

bom, já por ai expliquei a dificuldade da questão, para mim. ok, é obvio que a organização temporal da narrativa é bem clássica. a música idem. os actores, etc. mas, já reparas-te bem na duração de certos planos chave e não chave. a maneira como Capra usa o tempo e depura sobre rostos e corpos. diálogos e declamações num único plano. personagens pacientemente esculpidos à luz, mas…verdadeiramente. mesmo o cinzelamento sobre o preto e o branco, tens que reparar bem. isto foi um vaipe que me deu ao sentir certos planos que são certas cenas. prenúncios do que depois o pessoal sério chamou de moderno.

pensas em quê, diz lá…

Ford, Straub, por aí…mas, bom, o que quero dizer é que o filme tem muito que se lhe diga e não é mero passatempo ou clássico para manuais. sabes,se eu fosse professor acho que mostrava a cena em que o Stewart e a Jean Arthur conversam junto à estátua de Lincoln, e a seguir mostrava, por exemplo, “Sicilia!”. mas isso, acho que ninguém cairá…

Katsuhito Ishii ou Spike Jonze?

os dois. mas por hoje o Ishii, talvez....

Scarlett Johansson ou Penélope Cruz?

as duas. uma de cada vez. mas melhor melhor é a Mia Hansen-Løve. cineasta francesa que entrava nos filmes do Assayas. acho-a linda e com o seu quê de singular.

já viste o trailer do novo Jarmusch?

sim, maravilhoso. a frontalidade e os enquadramentos daquelas imagens fez-me pensar que o gajo andou a ver filmes do Costa. mais o Doyle na fotografia, mais Almeria, mal posso esperar.

Paulo Bento ou Carlos Carvalhal?

Jorge Jesus. melhor que os dois em conjunto.
e a nova Brasileira, já lá foste?

ainda não, mas estou curioso, sei que têm espaço para fumadores.

ok, até à próxima.

xau, vai aparecendo.

4 comentários:

p r disse...

mas já reparas-te bem no reparaste? eheh

José Oliveira disse...

sete e sete são catorze com mais sete vinte e um.

p r disse...

justamente
é td arte pré-colombiana

José Oliveira disse...

disso não percebo muito. só depois da conquista pelos portugueses e espanhois...em todo o caso, rock and roll!