domingo, 19 de julho de 2009

São os primeiros planos de “Chinesisches Roulette”, de Fassbinder, e possuem já toda a perturbação que corroerá pelo filme, numa granulação louca (mas louca mesmo, puta) que atingirá o inferno. O paroxismo dos olhares, dos espelhos, da dissimulação, tudo captado por uma câmara que funciona como uma arma. Implacável e sem réstia de piedade. O Alemão que “não atirava bombas, fazia filmes”. tá. Tá tá.
Aqui, como em “Mal”, atenção, muita atenção ao anjinho...
Revisão de “John Rambo”. Sly repôs a verdade das coisas. O que em “First Blood” era a incredulidade parente a maneira como certa ordem e certo país tratavam um homem e um herói, aqui é a descrença de alguém perante o mundo e a aceitação absolutamente triste de uma condição e de uma realidade. É por aqui que este cinema me entrega um humanismo que raramente senti depois do período clássico. Isso e a forma letal como é tratada a violência, é preciso que ela doa para transpor o mero formalismo e o simples espectáculo, é preciso que faça mal. E faz, faz muito mal. Ah, ainda os mais belos planos finais que o cinema americano me ofereceu em tempos, só compráveis aos de “Gran Torino”.

sábado, 18 de julho de 2009



“Mal”, de Alberto Seixas Santos, é um corpo doente, de caminho para a putrefacção, para o apocalipse da matéria. É um organismo em bruto, animal e descarnado, onde as hemorragias, os cancros e a morte fazem parte constituinte da substância da película, estão lá imprimidos, a corroê-la no seu interior, irreversivelmente. Pelo caos, um desfilar de estruturas ósseas dilaceradas, secas, onde a carne rapidamente se vai desvanecendo, onde os corpos dos náufragos e dos fantasmas caminham para o pó. E ainda é preciso ter olhos para ver o anjo… Sem águas mornas, meias tintas nem redenções. Há quem os tenha e há quem não os tenha. É mesmo assim.

sexta-feira, 17 de julho de 2009


“First Blood”. Ted Kotcheff. Sylvester Stallone. Para que este assombro tenha acontecido, obviamente foi preciso ter visto Ford e Hawks. Visto, mas bem visto. E revisto.