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Alguns dariam a obra inteira de Elia Kazan pelo único filme realizado pela mulher Barbara Loden. WANDA (1970) continua a ser um filme desconhecido apesar de oferecer o retrato mais perturbador do cinema dos anos 70, com as mulheres sob a influência de Cassavetes...........
Unique film de Barbara Loden, la femme de Elia Kazan, Wanda est l’une de ces pépites solitaires que nous offre parfois le cinéma, scintillante et magique comme peut l’être, par exemple, La Nuit du chasseur de Charles Laughton. Scintillant, magique, la réalité que décrit le film ne l’est pourtant nullement. Wanda, interprétée par la cinéaste, est une femme en rupture de ban, laissant mari et enfants derrière elle pour errer sur les routes désœuvrées des Etats-Unis. Là, elle y fait la rencontre d’un homme qui vient de dévaliser un bar et, passivement, se laisse entraîner par lui dans sa cavale.
Nul glamour ici, aucune inscription mythologique dans le banditisme à la façon de Bonnie and Clyde : quelque chose de mat, de monochromatique, de blafard a recouvert le réel. Deux ans après le film d’Arthur Penn le désenchantement des années soixante-dix pointait son nez dans le cinéma indépendant américain (dont les oeuvres de Sam Peckinpah ou Monte Hellman s’étaient déjà faites les témoins). La route y est par excellence le lieu de ce désenchantement, d’une vie qui s’effiloche au jour le jour sans jamais construire de lendemain. Il y a une tristesse dans Wanda, celle d’un personnage qui est comme un poids mort, voué à l’inexistence sociale et qui pourtant existe à nos yeux avec une rare intensité. La fragilité, la discrétion, la naïveté de Wanda éloigne le film de toute velléité démonstrative : aucune volonté d’en découdre avec le monde, aucun rébellion ici, juste un être qui passe.
On sent bien que Barbara Loden a dû puiser en elle et dans sa relation avec son metteur en scène de mari pour décrire cette femme à la dérive et la relation qui l’unit à cet homme également largué. Mais cette dimension documentaire (l’image 16mm granuleuse aidant) butte sans cesse sur quelque chose d’irrésolu, l’impression tenace d’un lien lâche et distendu avec la vie, comme en témoigne la relation ténue qui lie les deux protagonistes. Barbara Loden inventait alors une forme tout à la fois impressionniste et légèrement surréelle, silencieuse tout en enregistrant le bruit de fond de l’Amérique. Elle est morte en 1980, dix ans après avoir réalisé ce film. Nul doute que le monde a perdu cette année là une authentique cinéaste.
Jean-Sébastien Chauvin
Foi inevitável, algo mais forte do que eu fez-me pegar no carro, dirigir-me ao cinema e ver “Terminator Salvation”, de McG, realizador para mim completamente desconhecido.
Sou um burro, ou então só continuo a ir às salas (aquela sala) ver coisas assim por causa da menina da bilheteira por quem há muito tempo me vidrei platonicamente. É brutalmente linda, frágil, essas coisas...Será que lês isto princesa? Em frente pá, cala a boca.
Já o disse, considero o segundo tomo da série, realizado por James Cameron, um filme demencial, não só do cinema de acção, não só prodígio de efeitos especiais, etc., sim uma peça de arte apocalíptica, trágica, humanisticamente urgente e complexa. Tão negro e tão sem esperança que mais parecia um daqueles fulminantes gestos livres e subversivos de homens que não tem de prestar contas a ninguém (na verdade, o filme é assim) do que algo da grande máquina de Hollywood. Além de que é uma lição de mise-en-scène e de montagem sem par nos anos noventa, sem par no milénio seguinte. Dito isto, e jamais me cansarei de elogiar este filme de Cameron, não sei se deva considerar o projecto de McG um filme (apesar da projecção ocorrida), isto porquê? porque sou dos que acham que ontologicamente cinema e realidade são dependentes, que jamais haverá cinema sem mundo, cinema sem carne e sem sangue e por aí fora. Romantismo? Que seja, mas são convicções cósmicas e contra tais universos recuso-me a lutar. Ou seja: “Terminator Salvation” não possui propriamente imagens, ia dizer “reais”, mas fico-me só por imagens, é sim constituído por gráficos – no sentido mais publicitário possível – grafismos erguidos por computadores caríssimos (ironia lixada), imagens de plástico em que os “0`s” e os “1's” saltam gritantemente à vista, espécie de terminal e inacreditável comunhão entre os “videogames”, a facção mais estúpida da televisão actual e o imparável crescendo imagético produzido pelos telemóveis de ultima geração e afins. Montado sem conhecimento de causa, numa lógica de “next stage” banal, filmado sem espessura alguma, sem um interesse qualquer pelo que está em jogo e pelo que, apesar de tudo, lá existe, é das coisas mais feias e ordinárias que vi nos últimos tempos numa sala (ok, confesso que pouco tenho lá posto os pés). Tudo somado e ainda seria possível executar um tratado sobre a ridícula pretensão filosófica/humanística/moralista que o filme pretende olhar de frente. É a velha cantiga, que nos filmes de Cameron assustava e se fazia matéria palpável e fatal, mas que aqui, tal como nos “Matrix”, tem a subtileza de um pseudo-génio armado em génio a querer impressionar a turma e as meninas com tiradas de filosofia nietzschiana, ou coisa que valha. Mais que coisa informe, é coisa falsa.
